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O que as empresas brasileiras precisam acompanhar no comércio exterior no segundo semestre de 2026

O cenário internacional muda em ritmo acelerado e exige decisões cada vez mais rápidas. Mudanças…

O cenário internacional muda em ritmo acelerado e exige decisões cada vez mais rápidas. Mudanças econômicas, avanços tecnológicos, novas regulamentações e movimentações geopolíticas impactam diretamente empresas que importam ou exportam, alterando custos, prazos e a previsibilidade de operações que antes pareciam estáveis.

No primeiro semestre de 2026, o Brasil já sentiu esse movimento de perto. Segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, resultado 12,8% inferior ao mesmo período de 2025, com queda de 13% nas exportações brasileiras ao mercado americano. Ao mesmo tempo, a relação comercial com a China segue em expansão e a reforma tributária entra em sua fase operacional. Portanto, entender esses movimentos deixou de ser um diferencial e passou a ser condição mínima para quem depende de operações internacionais.

Por esse motivo, reunimos aqui os principais pontos que empresas importadoras e exportadoras precisam monitorar no segundo semestre, do cenário macroeconômico às mudanças regulatórias, passando pela logística internacional e pelas oportunidades que continuam abertas no mercado chinês.

Cenário econômico global e seus impactos no comércio exterior

O ritmo do comércio mundial desacelerou em 2026. Segundo projeções da Organização Mundial do Comércio (OMC), o crescimento global deve ficar próximo de 0,5% no ano, reflexo direto do aumento de tarifas e da incerteza política em várias regiões. Ainda assim, o cenário para o Brasil não é de retração generalizada. Ao contrário, o país deve registrar recuperação moderada do superávit comercial, projetado entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, sustentado principalmente pela demanda asiática.

Esse contexto tem uma consequência prática direta para quem importa. A taxa de câmbio projetada em até R$ 5,50 por dólar favorece o produto brasileiro no exterior, mas encarece a compra de insumos importados. Além disso, a Selic, que fechou 2025 em 15%, deve recuar para 12,25% até o fim do ano, segundo o Boletim Focus. Ou seja, empresas que dependem de capital de giro para financiar importações têm um horizonte de custo financeiro mais favorável pela frente, desde que planejem o momento certo de negociar.

Por outro lado, a relação com os Estados Unidos segue sendo o ponto de maior atenção. O governo norte-americano segue avaliando tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, incluindo uma investigação do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) que pode elevar a tarifação sobre alguns produtos a até 37,5%. Diante dessa instabilidade, diversificar mercados e fornecedores deixa de ser apenas uma boa prática e se torna uma questão estratégica de sobrevivência para o negócio.

Nesse ambiente de imprevisibilidade, o que separa empresas resilientes das demais é a capacidade de antecipar cenários. Ou seja, não basta reagir às mudanças: é preciso ter inteligência de mercado e planejamento tributário para transformar volatilidade em oportunidade de margem.

China: o que mudou e o que continua sendo oportunidade

Enquanto a relação com os Estados Unidos perde fôlego, o comércio entre Brasil e China segue em trajetória de crescimento. As exportações brasileiras à China cresceram 21,7% no primeiro trimestre, somando US$ 23,9 bilhões, enquanto o país asiático manteve a posição de maior fornecedor do Brasil, respondendo por 26,3% das importações brasileiras no período.

Esse avanço não se limita ao volume financeiro. Grupos chineses ampliaram investimentos diretos no país, somando US$ 6,1 bilhões em 2025, alta de 45% frente ao ano anterior. Consequentemente, a relação entre os dois países deixou de ser puramente comercial e passou a incluir operação industrial, logística e parcerias estratégicas em setores como energia, tecnologia e varejo.

Para o importador brasileiro, esse momento representa uma janela concreta. Contudo, o perfil de quem compra da China está mudando. Produtos genéricos, por exemplo, perdem espaço e o diferencial competitivo passa a estar em design exclusivo, certificação técnica e desenvolvimento de marca própria. Dessa forma, quem ainda enxerga a China apenas como origem de preço baixo tende a operar com margens cada vez mais apertadas.

Alguns pontos merecem atenção especial de quem importa ou pretende importar da China no segundo semestre:

  • Presença física ou representação local para inspeção pré-embarque e validação de fornecedores, reduzindo risco de defeito e descumprimento de especificação;
  • Custo total da operação, que vai muito além do valor pago ao fornecedor e inclui logística, tributação e certificação;
  • Desenvolvimento de produto exclusivo como estratégia de proteção de margem em segmentos cada vez mais competitivos;
  • Diversificação de fornecedores para reduzir dependência de uma única fábrica ou região produtora.

Nesse contexto, a presença direta no mercado chinês, com prospecção ativa e relacionamento contínuo com fábricas, torna-se um diferencial real para empresas que querem transformar sourcing em vantagem competitiva, e não apenas em redução de custo pontual.

Tendências logísticas e desafios da cadeia de suprimentos

O segundo semestre de 2026 chega com um recado claro para quem depende de transporte internacional: a previsibilidade logística já não pode ser tratada como garantida.

O aumento de tarifas provoca redirecionamento de cargas, mudança de origens produtivas e maior desequilíbrio na reposição global de contêineres, o que pressiona diretamente a formação de fretes e a disponibilidade de equipamentos. Esse cenário ajuda a explicar por que a volatilidade deixou de ser exceção e passou a fazer parte da rotina de quem planeja embarques internacionais.

Volatilidade como nova normalidade

Especialistas do setor já resumem esse momento como uma nova fase do transporte internacional, marcada pela imprevisibilidade estrutural das rotas. Quando as tarifas sobem, o efeito não é linear: há redistribuição de demanda entre rotas, o que torna o planejamento logístico muito mais dependente de modelos preditivos do que de histórico de operações passadas.

Diante disso, cresce a adoção de plataformas de inteligência logística e integração de dados portuários. Estudos da McKinsey e da UNCTAD já apontavam a digitalização do transporte marítimo como um dos principais vetores de eficiência da década, uma tendência que ganha força adicional em um ambiente mais protecionista. Assim, empresas que tratam dados como ativo estratégico tendem a apresentar maior resiliência operacional diante de oscilações de frete e prazo.

O que isso significa na prática para o importador

Para quem opera com prazos apertados ou depende de estoque mínimo, a instabilidade logística exige mudança de postura. Entre as principais adaptações recomendadas para o segundo semestre estão:

  1. Reavaliar rotas e modais com maior frequência, em vez de manter contratos fixos de longo prazo sem revisão;
  2. Descentralizar estoques estrategicamente, reduzindo a dependência de um único ponto de armazenagem;
  3. Investir em previsão de demanda integrada, conectando compras, logística e vendas em um mesmo fluxo de dados;
  4. Contar com parceiros que ofereçam inteligência de ponta a ponta, e não apenas execução operacional isolada.

É exatamente nesse ponto que a Hubsul, frente de distribuição do ecossistema NexoFour, se torna relevante. Por meio de um modelo de Distribution as a Service (DaaS), a Hubsul apoia empresas no redesenho da malha de transporte e armazenagem, reduzindo desperdício operacional e aumentando a previsibilidade de entrega em um cenário onde a volatilidade logística deixou de ser exceção para se tornar regra.

Mudanças regulatórias que merecem atenção

Nenhuma tendência do segundo semestre impacta tanto o dia a dia operacional quanto a reforma tributária. Desde janeiro de 2026, o Brasil vive a fase de testes do novo modelo de IVA Dual, com cobrança simbólica de 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Apesar de o caráter ser exclusivamente informativo neste ano, sem efeito de arrecadação, o preenchimento correto dos novos campos já é obrigatório nos documentos fiscais eletrônicos.

Um marco importante chega em agosto de 2026. A partir do dia 3 daquele mês, deixa de ser permitido emitir documentos fiscais eletrônicos sem o preenchimento dos campos relativos ao IBS e à CBS para empresas do regime regular. Ou seja, o período de tolerância técnica começa a se encerrar exatamente no segundo semestre, o que exige das áreas fiscal, contábil e de comércio exterior maior coordenação interna.

Para operações de importação especificamente, a mudança é ainda mais estrutural. A Resolução CGIBS nº 6/2026 e o Decreto nº 12.955/2026 já trazem a primeira regulamentação abrangente do IBS e da CBS incidentes sobre importação e exportação, incorporando à disciplina tributária conceitos como operação por conta e ordem, operação por encomenda e o tratamento diferenciado para empresas certificadas no Programa OEA (Operador Econômico Autorizado).

Na prática, isso muda a forma como empresas importadoras precisam se organizar. 

Vale destacar três frentes de atenção imediata:

  • Mapeamento de insumos importados antes da vigência plena da CBS em 2027, evitando classificação incorreta que gere perda de crédito tributário;
  • Revisão de contratos com fornecedores estrangeiros, já que a nova base de cálculo altera o custo total da operação de importação;
  • Ampliação da DUIMP, com migração completa prevista para dezembro de 2026, exigindo maior integração de dados entre áreas operacionais e fiscais.

Assim, empresas que tratam a reforma tributária apenas como pauta contábil correm o risco de perder créditos relevantes já no primeiro ano de transição. Por outro lado, quem antecipa o mapeamento fiscal e operacional chega em 2027, ano da CBS plena, em posição de vantagem competitiva real.

Como transformar informação em vantagem competitiva

Diante de um cenário com tantas variáveis em movimento simultâneo, a pergunta que fica é: como transformar todo esse volume de informação em decisão estratégica? A resposta passa por um princípio simples, porém pouco praticado: planejamento antecede operação. Muitas empresas ainda tratam o comércio exterior como uma sequência de tarefas operacionais, quando na verdade cada decisão de sourcing, logística ou classificação fiscal impacta diretamente a margem final do negócio.

Um erro comum é acreditar que o problema de rentabilidade está sempre no custo da carga. Na prática, boa parte da perda de margem acontece antes mesmo do embarque, na ausência de engenharia de produto e planejamento estratégico desde a origem.

Empresas que monitoram tendências regulatórias, geopolíticas e logísticas com antecedência conseguem tomar decisões mais assertivas, reduzir riscos e identificar oportunidades antes da concorrência.

O segundo semestre de 2026 não perdoa quem opera no improviso. Portanto, empresas que desejam proteger margem e crescer com previsibilidade precisam tratar inteligência de comércio exterior como parte da estratégia do negócio, e não apenas como uma etapa burocrática a ser resolvida quando o problema já apareceu.

Sua empresa já tem clareza sobre onde está perdendo margem nas operações de comércio exterior, ou ainda acredita que o desafio se resume ao custo da carga?

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